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Futuro está no Linux, diz Red Hat

Stephanie Chiras tem 17 anos de carreira na IBM e, desde de julho de 2018, é vice-presidente e gerente geral da Red Hat Enterprise Linux (RHEL). Em outubro do ano passado, a IBM comprou a Red Hat em um dos maiores acordos públicos do mercado de tecnologia: 34 bilhões de dólares.

Chiras, pós-doutora em materiais e engenharia mecânica e aeroespacial pela Universidade de Princeton, conta que a tecnologia que mudará o mundo da TI daqui para frente continuará a ser baseada no Linux. Para ela, a colaboração é o principal motor da inovação.

Confira a entrevista exclusiva de Chiras a EXAME a seguir.

EXAME: O que mudou desde o anúncio da aquisição da Red Hat pela IBM?  

Stefanie Chiras: Neste momento, ainda estamos em fase regulatória. Por isso, nada mudou. Continuamos trabalhando como antes na Red Hat, sempre em frente. O mercado deu atenção ao acontecimento porque foi um grande anúncio de intenção de compra. A aquisição oferece oportunidades. Os clientes querem flexibilidade e escalabilidade. Realmente acreditamos nisso e essa é a crença da Red Hat como um todo. A compra em potencial oferece uma oportunidade de trabalharmos com a Red Hat e levar isso aos nossos clientes em todo o mundo. Sabemos quem somos na Red Hat, acreditamos no open-source e continuaremos adiante com isso.

Quais são suas expectativas para a aquisição?  

Agora, não há expectativa. Não vamos especular sobre o que vai acontecer no futuro. Seguiremos com os negócios da Red Hat e a oferecer um bom relacionamento aos nossos clientes e parceiros, como sempre fizemos.

Estamos em 2019 e o mundo mudou muito nos últimos 20 anos. Por que o Linux ainda é tão importante para o mercado?

Estudei e trabalhei com o Linux por muitos anos. O que o Linux ensinou ao mundo, em seus quase 30 anos, foi um novo jeito de desenvolver. A inovação é mais veloz quando você convida a comunidade a participar do processo. Isso realmente mudou o paradigma de como as pessoas pensam em quão rápido a inovação pode ser entregue ao mercado. Na Red Hat, adotamos esse modelo e tentamos torná-lo um item de consumo para o mercado corporativo. O que fazemos é oferecer um ecossistema confiável em toda a plataforma Linux. Focamos em segurança, estabilidade, resiliência e oferecer junto a isso um ecossistema que nós testamos. Grande parte da minha equipe trabalha em como nos engajamos com parceiros de hardware para oferecer escolhas aos clientes quanto ao hardware que preferem usar. Também trabalhamos para melhorar nossa integração com provedores de software e nuvens públicas e garantimos que tudo esteja testado.

Quando olhamos para tudo que mudou, vemos que as aplicações mudaram e agora temos inteligência artificial, machine learning, deep learning e blockchain. São avanços incríveis. O jeito como os clientes desejam implementar soluções também mudou. Eles escolhem rodar aplicações on premise, off premise, em diferentes nuvens, todos os provedores de serviços.

O Linux é muito importante porque o cliente pode não saber em qual hardware terá suas aplicações dentro de dois ou cinco anos, ou mesmo o que virá por aí em termos de novidades tecnológicas, mas ele sabe que tudo funcionará no Linux. Todas as novas cargas de trabalho (workloads) são escritas para Linux. É a escolha número um dos desenvolvedores e também o sistema que mais cresce no mercado atualmente.

Como o Linux se encaixa no avanço da inteligência artificial?  

O desenvolvimento de inteligência artificial está trazendo mudanças únicas para o mercado. Os frameworks que estão sendo criados permitem que os desenvolvedores sejam mais ágeis. Todos eles funcionam em Linux. A inteligência artificial também traz mudanças importantes para a indústria de hardware. Nos últimos dez anos, o mercado se voltou a um padrão de hardware para otimizar os processos.

A inteligência artificial traz requisitos de computadores muito agressivos. Quando olhamos para a mudança que esse mercado está trazendo, o Linux se tornou central para dar suporte aos frameworks que têm atraído os desenvolvedores. Temos trabalhado na nossa plataforma RHEL para garantir que nossos clientes tenham opção de hardware.

Vim da IBM e já trabalhei com a Red Hat antes, tínhamos uma parceria forte. Um dos grandes exemplos são os supercomputadores. O primeiro e o segundo mais potentes do mundo foram feitos por meio de colaboração, com o IBM Power System, colaboração com a Red Hat, GPUs da Nvidia, e capacidades de I/O da Mellanox.

Como você vê a colaboração e a comunidade open-source no mercado brasileiro? 

No Brasil, as pessoas são muito corajosas em suas adoções de Linux e containers. Ainda estou entendendo o mercado, mas vejo que há uma apreciação genuína pelo open-source. Com as mudanças que acontecem hoje no mercado, cada cliente que temos é uma nova jornada.

Muito se fala sobre a adoção de blockchain no mercado corporativo, mas você vê oportunidades nessa tendência para empresas como a Red Hat?  

O blockchain é uma tecnologia de potencial incrível. Ele ainda está se desenvolvendo para causar um impacto no planeta, seja no sistema bancário ou em outros segmentos. Para mim, o importante é garantir que nossas soluções para o mercado sejam compatíveis com as necessidades dos clientes. O ecossistema vai se desenvolver e será baseado no Linux.

Como executiva em um mercado que ainda busca igualdade de gênero no ambiente de trabalho, como vê essa mudança? 

A indústria de tecnologia é dominada pelos homens, com certeza. O valor da diversidade nesse mercado é muito parecido com os princípios e valores do open-source. É a possibilidade de ter diferentes pontos de vista. Com isso, no fim das contas, você consegue chegar à melhor decisão. É por isso que acreditamos em código aberto e por isso que as comunidades do Linux mudaram a forma de desenvolver inovação.

Como seria possível mudar o curso dessa tendência?

Estamos envolvidos em programas que estimulam a entrada de mulheres no mundo da programação. Trabalhamos mundialmente para que as mulheres, desde cedo, saibam que elas têm escolhas. Ninguém escolhe por elas. O acesso à tecnologia está aumentando e isso ajuda a reverter essa tendência.

Fonte: Revista EXAME

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